NADA COMBINA COM DROGA - NEM A VIDA

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segunda-feira, 18 de junho de 2012

A INDIGNAÇÃO




A INDIGNAÇÃO
Escrito por Bert Hellinger   
Quando nos tornamos indignados sobre uma situação qualquer, parece 
que estamos do lado do bem e contra o mal, do lado da justiça e contra a
injustiça. Parecemos então ser aquele que intervém entre o agressor e
 
sua vítima de modo a impedir um mal maior. Contudo, pode-se também
 
intervir entre eles com amor, e isso seria, com certeza, melhor.
Assim, o que o indignado quer? O que ele realmente obtém? O indignado
se comporta como se ele próprio fosse uma vítima, embora não seja. Ele
 
assume o direito de exigir uma reparação do agressor embora nenhuma
 
injustiça tenha sido feita pessoalmente a ele. Ele assume a tarefa de
 
advogado das vítimas, como se elas tivessem dado a ele o direito de
 
representá-las; e fazendo assim, deixa as verdadeiras vítimas sem
 
direitos.
E o que faz o indignado com esta pretensão? Ele toma a liberdade de 
fazer coisas más aos agressores sem medo de qualquer consequencia ruim
 
para sua própria pessoa; pois suas más ações parecem estar a serviço do
 
bem, e assim elas não temem qualquer punição. De modo a manter sua
 
indignação justificada, tal pessoa dramatiza tanto a injustiça sofrida
 
pelas vítimas quanto as consequencias das ações da parte culpada. Ela
 
intimida as vítimas a verem a injustiça pelo mesmo modo com ela mesma
 
vê. De outro modo, caso as vítimas não concordem, tornam-se suspeitas e
 
alvo de uma indignação justificada, como se elas mesmas fossem
 
agressores.
Da perspectiva da indignação é difícil para as vítimas deixar seu 
sofrimento ir embora, e é difícil para os agressores deixarem sua culpa
 
ir embora. Se às vítimas e aos agressores for permitido encontrar uma
 
resolução e uma reconciliação por seus próprios meios, elas podem se
 
permitir, uma a outra, um novo começo. Mas se a indignação entra em
 
cena, tal resolução é muito mais difícil, pois o indignado, geralmente,
 
não fica satisfeito até que o agressor tenha sido completamente
 
destruído e humilhado, mesmo que isto, ao ser feito, intensifique o
 
sofrimento das vítimas.
A indignação é em primeiro lugar uma questão de moralidade. Isto quer
dizer que o indignado não está realmente preocupado em ajudar outra
 
pessoa, mas comprometido com uma certa demanda para a qual ele se
 
proclama o executor.
Deste modo, ao contrário de alguém que ama, tal pessoa não conhece nem contenção, nem compaixão.

“Nós estamos liberados do mal quando podemos, serenamente, deixá-lo 
ir.”
 
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"No final, é sempre entre nós e Deus" (Madre Tereza de Calcutá)

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