NADA COMBINA COM DROGA - NEM A VIDA

NADA COMBINA COM DROGA - NEM A VIDA

domingo, 4 de maio de 2008

O SERTANEJO

Foto do site: www.overmundo.com.br

mapa do Site: www.klepsidra.net/klepsidra3/euclides.html
foto do Site: www. turismosertanejo.com.br

foto do Site: www.klepsidra.net/klepsidra3/euclides.html

DIA DO SERTANEJO


- 3 DE MAIO -



Na paisagem inóspita, um grande personagem: O SERTANEJO
O sertão, com seus ventos bíblicos, calmarias pesadas e noites frias, impressiona. Cortado por veredas e árvores retorcidas em desespero, todo ele são monótonos caminhos de caatingas e areais ressequidos. As "pueiras", lagoas mortas, de aspectos lúgubres, são o único oásis do sertanejo. A serra de Monte Santo, com seus tons azulados, é uma cortina de muralha monumental. As conformações rochosas, no ermo vazio do Bendegó, dão a ilusão de ruínas antigas. Os grandes desmoronamentos rochosos do sertão lembram "mares de pedras". Os rios salgados, quando secam, parecem um fundo de mar extinto, uma impressão acentuada pelos fenômenos ópticos do calor. Isso reforça a mítica sertaneja de que "um dia o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão".
No sertão, a começar pelo solo e clima, tudo é adverso. O sertanejo sobrevive porque é uma raça forte. Assim como o cacto mais resistente, ele foi feito para o sertão. Tem o pêlo, o corpo e a psicologia próprios para suportar o suplício da seca. Conhece profundamente a flora e fauna.

Cactos
Sabe o nome e as vantagens de cada cacto, de cada mandacaru, de cada xiquexique. Seus pássaros: o carcará, o acauã... a asa branca. E a natureza que ele tanto ama é sua aliada na luta pela sobrevivência. Desidratado como as plantas, consegue viver dias só com o trivial e um copo d'água. E ama o sertão. Não se habitua a outro lugar. O sertão o destrói e hipnotiza. É o homem rude e sereno acostumado desde muito novo com a morte. Um resistente num lugar onde quase só existe deserto e onde a água é uma miragem.
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços do litoral. A sua aparência, entretanto, no primeiro lance de vista, revela o contrário(...). É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasimodo (...) é o homem permanentemente fatigado (...) Entretanto, toda essa aparência de cansaço ilude (...) No revés o homem transfigura-se . (...) e da figura vulgar do tabaréu canhestro reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade
extraordinárias."Trecho do livro "Os Sertões".
Ao tentar compreender a psicologia do sertanejo, Euclides da Cunha fez um ensaio revelador sobre a formação do homem brasileiro. Desmistificou o pensamento vigente entre as elites do período, de que somente os brancos de origem européia eram legítimos representantes da nação. Mostrou que não existe no país raça branca pura, mas uma infinidade de combinações multirraciais. Previu um destino trágico para o Brasil, se o país continuasse a não levar em conta as diversas raças que o formaram. Mostrou que o Brasil tinha contradições e diferenças étnicas e culturais extremas. Concluiu que havia uma necessidade imperiosa de se inventar uma raça. Caso contrário, o Brasil seria candidato a desaparecer. Para Euclides da Cunha, a mestiçagem enfraquecia o indivíduo e implicava uma perda de identidade - um problema para a concepção de nação. Para ele, o mestiço do litoral é degenerado e o sertanejo, retrógrado. No caso do sertão, porém, considerou que só esse mestiço se adaptaria à região.
"O crescimento do séquito de Antônio Conselheiro foi acentuado depois da libertação dos escravos, (...) Este fenômeno não tinha sido observado pelo próprio Euclides da Cunha, mas está nos documentos da época, (...) e isso cria um estado de desentendimento entre o Conselheiro e os fazendeiros. Você não encontra nenhuma reclamação por causa de terra, mas por causa de mão-
de-obra."Prof. José Calasans - fundador do Núcleo Sertão da UFBA, Universidade Federal da Bahia.
Sertanejo: origens. No sertão, a mistura de raças deu-se mais entre brancos e índios. O jesuíta, o vaqueiro e o bandeirante foram os primeiros habitantes brancos que migraram para a região. Deram origem aos tipos populares que compõem o sertão: o beato, o cangaceiro e o jagunço. Ali estão todos, com suas vestes características, seu apego às tradições mais remotas, o sentimento religioso levado até o fanatismo e o seu exagerado senso de honra.
"Eu tenho orgulho de ser filha de Canudos! Tenho orgulho, mesmo! Me sinto feliz com essa palavra: Canudos não se rendeu ! Morreram todos, mas não se renderam!...D. Zefinha.
Tanto o cangaceiro quanto o jagunço são guerreiros
. Homens de armas. O cangaceiro age em bando e por conta própria, vive como andarilho pelo deserto, obedecendo às leis do chefe do bando. O jagunço muitas vezes age sozinho. Protege alguém, que tanto pode ser um coronel como uma pessoa com quem tem uma dívida de honra. O fazendeiro dos sertões vive no litoral, longe de suas propriedades; quem cuida de suas terras é o vaqueiro, de fidelidade assombrosa e submissão inconsciente e servil. Mas na adversidade sua roupa de couro pode se tornar a armadura de jagunço. Qualquer vaqueiro sabe lutar e lidar com armas. Oculta em si o guerreiro. As sertanejas são diferentes das mulheres do litoral: são rezadeiras, rendeiras, mocinhas ingênuas, bruxas velhas e alcoviteiras. Mulheres de coragem e encrenqueiras.
"Algumas mulheres lá em Canudos eram terríveis! Brigavam na trincheira, mulheres brigando a bem do Conselheiro!"Ioiô da Professora.
A devoção do matuto. Descendentes dos antigos jesuítas, os padres, os beatos e os conselheiros dão conselhos e são beatos da categoria mais alta entre a população. Padres e beatos podem se tornar líderes messiânicos como o padre Cícero, de Juazeiro do Norte, de grande influência no sertão. Rebeliões religiosas são constantes na história do sertão: um universo primitivo, impregnado de um fanatismo rude e impressionante, originário, segundo o autor, "do que existe de pior nas crenças místicas das três raças que o formaram". Sob tais influências, o matuto vai da extrema brutalidade ao máximo devotamento. Apesar da coragem, acredita em todos os mal-assombramentos. Está propenso a ser um "desvairado pelo fanatismo e um transfigurado pela fé." Por isso é um seguidor de messias fanáticos que o arrastam e endoidecem.
Euclides da Cunha mostrou que um universo de tal natureza era governado por leis próprias. Demonstrou que a Campanha de Canudos foi absurda, pois a população não era monarquista, como o exército acreditava. Pregar contra a república era apenas uma variante do delírio religioso de Antônio Conselheiro. Uma sociedade tão primitiva era incapaz de compreender tanto a forma republicana como a monarquia constitucional. Só aceitava o império de um chefe sacerdotal ou guerreiro. Conselheiro foi esse chefe sacerdotal. Anos mais tarde, o cangaceiro Lampião seria o chefe guerreiro.
Do Site: www.tvcultura.com.br/aloescola/

Nenhum comentário: