NADA COMBINA COM DROGA - NEM A VIDA

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sexta-feira, 16 de maio de 2008

TOMBAMENTO DA CASA DE CHICO MENDES

O Futuro dos índios yanomanis-www.coresprimarias.com.br

Índio yanomani -www.coresprimarias.com.br

CHICO MENDES

CASA DE CHICO MENDES (Foto de Eder Pereira)

TOMBAMENTO DA CASA DE CHICO MENDES


O Iphan também prestou uma homenagem ao ambientalista e seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988. A casa onde ele viveu, em Xapuri, no Acre, foi tombada nesta quinta-feira.

(Jornal Nacional - Rede Globo)- dia 15/05/2008


Iphan oficializa tombamento da Casa de Chico Mendes
Viviane Teixeira

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) oficializou o tombamento da Casa Chico de Mendes como patrimônio histórico nacional. No dia 13 de fevereiro desde ano, o IPHAN decretou no Diário Oficial da União o edital de tombamento da Casa de Chico Mendes e seu acervo, localizada no número 10 da rua Batista de Moraes, Setor 1, Distrito 1, Lote 290, em Xapuri.A casa é o local onde o líder seringueiro Chico Mendes foi covardemente assassinado já tinha sido tombado como patrimônio histórico do Estado do Acre. O decreto foi assinado em 2006, no Dia da Amazônia, pelo então governador Jorge Viana em cerimônia realizada no Palácio Rio Branco com a presença de autoridades e ativistas ambientais.Trata-se de uma pequena casa de madeira o local da tragédia que comoveu o mundo e estabeleceu um novo período para a luta dos seringueiros e excluídos do Acre, o local que acabou virando atração turística e já chegou a receber mais de dez mil visitantes por ano. A primeira reforma financiada pelo Governo do Estado manteve as características originais da casa, da mesma época em que o líder ambientalista foi executado.

(Agência de Notícias do Acre)

AFINAL, O ACRE ERA DE QUEM?

Selo do Estado do Acre.

Igreja do Xapuri -AC


Índio do Acre-Site:www.duplipensar.net


Reserva da Serra do Rio Juruá

Afinal, o Acre era de quem?

Publicado em 22.01.2007
"Nunca houve, talvez, uma geografia tão confusa, hesitante, cheia de erros e de reticências do que a do ocidente do rio Madeira, durante os tempos coloniais". (Leandro Tocantins, 2001, 387p. )
A pergunta que traz o título desse artigo parece ter uma resposta óbvia para os acreanos. O Acre pertencia ao Brasil. Mas, se questionarmos a história, veremos que outros dois países também reivindicavam essas terras: o Peru e Bolívia. Então, o Acre era realmente de quem?

Do BRASIL? Juridicamente todos os Tratados Internacionais anteriores ao de Petrópolis (1903) respondem negativamente a essa pergunta. A Bula Papal Intercoetera (1493) Tratado de Tordesilhas (1494), Tratado de Madri (1750), Tratado de El Pardo (1761), Tratado de Santo Ildefonso (1777) e o Tratado de Badajós (1801). O próprio Brasil Imperial reconheceu que o Acre pertencia à Bolívia (Tratado de Ayacucho, 1867).

Do PERU? Lembremos que na época em que o Peru era um dos quatro vice-reinados da Espanha aqui na América, as terras que compõem o território boliviano, lhe pertenciam. A Bolívia conquistou a independência em 1825. No entanto, não houve consenso em relação aos limites fronteiriços com entre os dois países. O Peru alegava que era dono de todo o vale do Amazonas, a leste do meridiano do nascente do Javari. Quando a “revolução” acreana aconteceu, essa questão ainda estava latente. No caso, o Brasil teria de negociar o Acre com o Peru e não com a Bolívia. O Barão de Rio Branco em poucos meses resolveu a questão acreana com a Bolívia. Com o Peru, ao contrário, a pendenga durou seis longos anos.

Da BOLÍVIA? A Bolívia considerava o Acre como “Tierras non descobiertas”, ou seja, terras ainda não exploradas pelos bolivianos. A atenção econômica desse país estava voltada para a extração de ouro e prata, negócio seguro e certo. Além do mais, a Bolívia vinha de uma guerra contra o Chile de quatro anos (1879-1882), portanto, teve que deslocar recursos humanos em direção oposta ao Acre. Aproveitando-se do patrocínio internacional e da crescente valorização do preço da borracha, milhares de nordestinos ocuparam as terras, criando o que se chamou de “Questão do Acre”. A Bolívia, mesmo sem ter ocupado a terra, alegava que o Acre lhe pertencia baseando-se nos mesmos Tratados Internacionais que o Peru, exceto o de Ayacucho.

De quem era o Acre, afinal? Ora, segundo a retórica aceita do UTI POSSIDETIS, o Acre pertenceria não aos seus descobridores, e sim aos seus ocupantes. Então, o Acre inegavelmente pertencia ao Brasil, certo? Não, errado. Os brasileiros foram um dos primeiros brancos a assassinarem índios na região, e não os seus primeiros ocupantes.

Os primeiros ocupantes foram os índios. Até a segunda metade do século XIX, viviam no território hoje conhecido como Acre cerca de 150 mil índios, distribuídos em 50 povos. Os sítios arqueológicos descobertos recentemente em Sena Madureira (AC) revelam indícios da existência de vida indígena há pelo menos dez mil anos.O que fazer com essa presença milenar? O que dizer da diminuição abrupta dessa população? O índio é um tema nevrálgico na historiografia oficial acreana. Sofre interdições abertas - é controlado, selecionado, organizado e redistribuido por procedimentos que têm por função conjurá-lo. Nos dizem que que pertenciam a uma pré-história do Acre e que não conseguiram se adaptar ao progresso da civilização. Na verdade, até hoje são tratados como estrangeiros. Mas o leitor pode me perguntar: eram índios brasileiros ou bolivianos? Eu responderei que as nacionalidades são invenções recentes, criadas pela modernidade. O Estado-Nacional que conhecemos hoje nasceu no século XIX, na Alemanha de Bismarck. Portanto, não podemos enquadrar o índio numa categoria criada pelo branco. O que podemos dizer é que os índios foram mortos aos milhares. O genocídio foi fruto da intolerância e da ambição dos brancos. É bom lembrar que esses brancos são, em sua maioria, constituídos por brasileiros - os nossos antepassados que tanto cultuamos como heróis. O branco patriota dizimava índio por meio das famosas “correrias”. Atualmente vivem no Acre um pouco mais de 10 mil indígenas. No dia 19 de abril, dia em que o branco concedeu ao índio para vãs “comemorações”, geralmente vemos políticos disputarem microfones para convencerem outros brancos, que os índios têm VALOR. Pode o índio ter valor sob a tutela do branco?
O Acre pertencia aos índios, mas esse debate pouco importa numa terra feita de “heróis”.

Egina Carli de Araújo Rodrigues Carneiro é professora de história,
pós-graduanda em História da Amazônia pela UFAC.
Eduardo de Araújo Carneiro é licenciado em História,
concludente do curso de Economia e
acadêmico do Mestrado em Letras pela UFAC e
edita o blog História do Acre -http://eduardoeginacarli.blogspot/

REVOLUÇÃO ACREANA

Estátua de Chico Mendes.


Oca de índio- no Parque Chico Mendes


O índio, nativo da região. www.nhariolincoln.jor.br/


Porto Acre nas filmagens da minissérie.

Revolução Acreana: um elogio ao capital

Eduardo de Araújo Carneiro - Publicado em 05.02.2007

"Capital é uma forma especifica de relação social, na qual os burgueses empregam o trabalho dos despossuídos dos meios de produção para produzir mais-valia... é a contínua expansão do valor através do processo de produção e circulação de mercadorias" Paul Singer



Acreana. A historiografia oficial muito já fez para se acreditar que a origem dessa guerra está no sentimento antiimperialista de Plácido de Castro e no patriotismo daqueles que fizeram a “revolução pelo direito de serem cidadãos de um país que os negava”. Ao contrário desse raciocínio que forja um passado heróico, expondo em primeiro plano o idealismo dos combatentes, numa perspectiva econômica, pretendemos tornar a “Revolução” mais transparente aos olhos dos leigos, ressaltando a latente cobiça dos “coronéis de barranco”. Porquanto “Não é a consciência dos homens que determina a realidade; ao contrário, é a realidade social que determina sua consciência” Marx. A “guerra do Acre” fez parte de uma conjuntura internacional em que a busca pelo lucro foi levada ao extremo através da política imperialista dos países “centrais”. A conquista territorial e o domínio econômico sobre outras nações eram vitais para a sobrevivência das indústrias; por meio do controle das fontes de matérias-primas, pretendia-se vencer a “encarniçada” concorrência. No final do século XIX, o Acre torna-se um dos principais alvos do capital, por ter a maior fonte de látex, elemento essencial à indústria pneumática. O capital chega ao Acre em seu modelo selvagem e constrói toda a engrenagem do sistema de aviamento. Em busca de inversão lucrativa rompe as “veias acreanas” e, indiferente às danosas conseqüências sociais, suga o máximo de seu látex. Para obter o excedente, o capital não tem ética – invade as terras bolivianas, destrói a floresta, extermina os índios, submete as pessoas à semi-escravidão, encobre a corrupção, apóia a sonegação fiscal, promove conflitos, produz o subdesenvolvimento e até patrocina historiografias capazes de justificar suas ações. Mas não se pode esquecer que havia quem, no âmbito local, se enriquecia com tudo isso: os seringalistas e os governadores do Amazonas e do Pará.Inegavelmente o Acre pertencia à Bolívia. Na verdade essas terras nunca se configuraram como brasileiras, tratados e acordos não faltam para comprovar esta afirmação, desde a “Bula Papal Intercoetera” assinada em 1493, até a definição da linha “Cunha-Gomes” em 1898 (não considerando o ‘Uti Possidetis’). No entanto, seringalistas brasileiros financiados pelas casas aviadoras, trouxeram milhares de nordestinos para essa área, a fim de explorá-los até produzirem a derradeira mais-valia absoluta. Os seringueiros “trabalhavam para se escravizar” enquanto garantia o lucro dos “coronéis de barranco” e os impostos dos governadores. O sistema funcionou “harmoniosamente” até a Bolívia exigir “as terras não descobertas” de volta. A Bolívia soube da invasão de suas terras em 1894, pelo coronel boliviano Manuel Pando. A partir de então, começaram os conflitos que culminariam na “Revolução Acreana”. O governo do Brasil tudo fez para deixar a região com o verdadeiro titular e, após alguns acordos diplomáticos, em janeiro de 1899 a Bolívia constrói um posto aduaneiro em Puerto Alonso, lugar estratégico por onde trafegavam boa parte das embarcações. A aduana boliviana cobrava impostos de até 40% em cima do valor do produto. Não havendo como repassar esse aumento às casas exportadoras, uma vez que estas já preestabeleciam os preços, os seringalistas tiveram que arcar com os prejuízos e os governadores com a diminuição drástica da arrecadação tributária. Eis aí o verdadeiro elemento causador da Guerra do Acre: $ DINHEIRO $. Não aceitando a situação, o governador do amazonas aliado aos seringalistas começaram a contratar líderes que organizassem revoltas contra os bolivianos: em maio de 1899 o jornalista José de Carvalhos; em julho de 1899 o espanhol Galvez; em dezembro de 1900 os poetas da “expedição Floriano Peixoto”. Não resolvendo o litígio, essas revoltas só pioraram a situação, já que o governo boliviano decide buscar ajuda dos ingleses e norte-americanos para “colonizar” o Acre. Surge o conhecido “Bolivian Syndicate”. Contra esse consórcio levanta-se nada menos que Plácido de Castro, o herói dos desavisados, que aceita participar da “epopéia acreana” por uma quantia de 250 mil contos de réis.A guerra foi, do início ao fim, um elogio ao capital, pela “bela” coreografia apresentada aos dois países, pela sedução com a qual os cativou ao engodo. O que estava no centro da questão não era a luta contra o imperialismo internacional, a região já estava dominada pelo capital internacional por meio do sistema de aviamento; a “Bolivian Syndicate” seria apenas um acesso “vip” ao “leite amazônico”. Na verdade, bolivianos e “brasileiros do Acre” entraram em guerra, para saber com quem ficaria as “migalhas” dos gigantescos lucros que fluíam da “havea brasiliensis” para a Europa. “Todos os movimentos armados ou diplomáticos pela posse do Acre... foram motivados pela riqueza” Prof. Dr.Carlos Alberto, autor do livro Acre: novos tempos, novas abordagens.Por fim, as “revoluções acreanas” não se fazem só de ideologia, subjacentes a elas existem as profundas ambições de seus líderes e da classe que representam. Comprovadamente a vida dos seringueiros em nada mudou, continuaram “trabalhando para se escravizarem”, as “revoluções” sempre se negam a ir ao encontro dos “pequeninos”. Em contrapartida, são benévolas com seus líderes. Plácido de Castro tornou-se um seringalista rico, dono de terras no Acre, Amazonas e Bolívia; foi governador do Acre meridional e depois prefeito do Alto Acre. O dia 06 de agosto já se aproxima, novamente seremos lembrados de todos os feitos heróicos e patrióticos de nosso passado. Comemoremos!!! Afinal “temos um herói para dar a conhecer a todos os brasileiros”

(citação extraída da apresentação do livro: O Estado Independente do Acre, de Genesco Castro reeditado em 2002).

Eduardo de Araújo Carneiro é licenciado em História,

concludente do curso de Economia e

acadêmico do Mestrado em Letras pela UFAC e

edita o blog História do Acre - Vale a pena ver: http:/eduardoeginacarli.blogspot.com/

A OPINIÃO DE NÚBIA CELESTINO NOGUEIRA

O Parque Nascente Serra do Rio Juruá



Cruzeiro do Sul, após enchente do rio Juruá.
Do Blog: altino.blogspot.com/2008

Porto Acre-onde foi filmada a minissérie

Uma opinião


Olá Giacomino,
li o artigo e não vi nenhuma novidade. Afinal, nesse país "deitado em berço esplêndido" você já viu os historiadores contarem a história que não seja do ponto de vista do patrão? E por quê no Acre seria diferente? Não que eu concorde com isso, mas é a nossa realidade e de outros países também. O importante é que pelo menos até agora, a Glória Perez(ou a Rede Globo, como diz o historiador), tem sido fiel à história oficial, pelo menos a do meu tempo de criança e adolescente. Confesso que não tenho lido as produções dos últimos anos e talvez aí tenha sido onde pequei. Vai ver que os historiadores contemporâneos têm sido mais criteriosos na escolha do enfoque. De qualquer forma, estou adorando ver meu pedacinho de chão na telinha, pois longe 3.800 km, fico todos os dias esperando (ou deixo gravando). Não perco um capítulo! Fazer o quê se é a rede Globo? E se não fosse ela, seria quem? Por acaso, onde está alguém que poderia contar o outro lado da história? Daqui há pouco pode ser que os bolivianos venham contá-la do ponto de vista deles e acho que nem nós e nem o historiador que escreveu o artigo citado por você vamos gostar de ouvi-los. Pois é, cada um conta "a sua história". O bom mesmo é sermos pessoas críticas, coerentes, éticas e que possamos enxergar a história sem sectarismos, não como verdade absoluta e quem sabe, um dia podermos revisitar o passado com outro olhar. Espero que o Eduardo, como historiador, leve-nos a esse reconhecimento. Por outro lado, que branco esteve no Acre, com exceção de Galvez? Quem somos nós, senão o resultado de uma miscigenação ocorrida desde o Nordeste? Eu tenho a honra de dizer que sou uma senamadureirense de 50 anos, filha de nordestino e mãe acreana, com vó acreana (nascida em Xapuri), com uma mistura tão danada que eu só tenho certeza de uma coisa: não tem o menor perigo de eu ser considerada branca. Bom,vamos então assistir a tal minissérie e um viva a todas as raças, que fizeram e fazem esse país, ora acertando, ora errando, mais errando do que acertando.


De NÚBIA CELESTINO NOGUEIRA

DA COMUNIDADE: EU AMO SENA MADUREIRA - Do Orkut

QUEM FOI CHICO MENDES?

Praia de Manoel
Urbano-Acre



CHICO MENDES: 1944-1988

Quem foi Chico Mendes?

Francisco Alves Mendes Filho nasceu em Xapuri, Acre, em 15 de dezembro de 1944. Chico Mendes, como era mais conhecido, era seringueiro. Fundou um sindicato de seringueiros para preservar a profissão da extração madeireira indiscriminada e o desmatamento. Atuou na fundação do Conselho Nacional dos Seringueiros e ajudou a formular a proposta das Reservas Extrativistas para os seringueiros. Em 1987 Chico Mendes foi reconhecido internacionalmente com os prêmios "Global 500" da ONU e a "Medalha do meio ambiente" da Better World Society. Foi assassinado em frente de sua casa em 22 de dezembro de 1988, aos 44 anos. A justiça condenou os fazendeiros Darly e Darcy Alves da Silva pela morte de Chico Mendes.




Do Site: www.duplipensar.net/artigos/2007/minisserie-...

Veja: http://eduardoeginacarli.blogspot/ - A HISTÓRIA DO ACRE

QUEM FOI GALVEZ?

Cidade de Manoel
Urbano - AC



Luiz Galvez - o espanhol


Quem foi Gálvez da minissérie Amazônia?



Erroneamente apontado como boliviano, Luis Gálvez Rodríguez de Arias nasceu em São Fernando, na região da Andaluzia (Espanha) numa tradicional família. Gálvez era jornalista e diplomata. Gálvez estudou ciências jurídicas, tornou-se diplomata na Europa. Seu vasto conhecimento não impediu seu espírito aventureiro de procurar o "Eldorado" na Amazônia. Tornou-se jornalista em Manaus no jornal Comércio do Amazonas, abriu um bordel com uma antiga amante (Lola). Decide partir para a conquista do Acre ao traduzir um documento da Bolívia. Proclamou a República do Acre em 1899, o qual governou entre 14 de julho de 1899 e 1º de janeiro de 1900 e 30 de janeiro e 15 de março de 1900. Gálvez morreu em Madri em 1935.



Do Site: www.duplipensar.net./artigos/2007/minisserie-...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

MINISSÉRIE AMAZÔNIA

CHICO MENDES


LUIZ GALVEZ


FUNCIONÁRIA DA FUNAI COM OS ÍNDIOS


De Galvez a Chico Mendes: o discurso branco na tela da Globo

Eduardo de Araújo Carneiro - Publicado em 11.01.2007

Exijo a possibilidade de viver plenamente a contradição da minha época, que pode fazer de um sarcasmo a condição da verdade. (Roland Barthes)

A minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes pretende contar os cem primeiros anos da história do Acre. A imagem inaugural do primeiro capítulo foi a chegada dos nordestinos. Há uma pergunta que não quer calar: cadê os mais de 150 mil índios, divididos em quase 50 povos, que moravam há mais de 10 mil anos no território que o branco passou a chamar de Acre? O Acre é uma invenção do branco. Um branco do gênero masculino, de classe econômica abastada e de nacionalidade brasileira. A história que estamos vendo na telinha turva da Globo é uma representação midiatizada de um discurso marcado por efeitos de poder. Um discurso branco para entreter o próprio branco. A presença milenar dos indígenas nas terras de Galvez se desmancha no ar. Quem fundou o Acre para o reino da civilização foram os heróis brancos, o que ficou para trás é somente barbárie e pré-história. Índio não tem vez. Índio não entra em cena. Quando entra é para acentuar a bravura dos brancos na saga da conquista e para fazer 150 milhões de telespectadores brancos se divertirem com o que chamam de exótico. A minissérie está atravessada por uma política de produção do saber. Ela materializa um discurso marcadamente ideológico e o faz funcionar como evidência. É a ordem do discurso da qual Foucault tanto falava. Os discursos são governados por formações discursivas, que regram o aparecimento de certos enunciados e determinam o que pode e deve ser dito num dado momento e num dado lugar. A ordem do discurso limita a visibilidade, fixa um sentido desejado e, neste caso, dirige o olhar do telespectador. O objetivo da minissérie não é problematizar a história do Acre; pelo contrário, é regrar o olhar de quem a enxerga. Ela põe em funcionamento mecanismos de organização do real, por meio dos quais, somos interpelados a crer que a história é realmente contínua e teleológica. Mas, Nietzsche e Foucault nos afirmam que a história é descontínua. É pulverizada por rupturas. A regularidade histórica é um efeito de sentido criado pela ideologia, que esconde a emergência da singularidade dos acontecimentos. A unidade histórica está ligada a sistemas de poder - a uma “ordem do discurso” que fixa um sentido desejado. A milenar presença indígena nas terras de Galvez é sacrificada para que se construa um momento inaugural de origem branca. Esse fenômeno é chamado pela filósofa Marilena Chauí de mito fundador. Jacques Derrida diz que esse discurso nos remete “... a uma origem em que nada começou, à gênese de um ego que não existe”. Amazônia: de Galvez a Chico Mendes aparece como a narração de um eu acreano. Como se o acreano tivesse marcas de nascença ou uma identidade fixa espelhada nos heróis Galvez, Plácido de Castro e Chico Mendes. O acreano - assim como o brasileiro - não tem apenas um ego, mas muitos, um para cada situação. O eu que exterminava os índios nas correrias em prol da formação de seringais não é o mesmo que se uniu aos remanescentes indígenas em defesa da floresta nos anos 80. Queremos agitar o que nos mostram como imóvel. A identidade é híbrida, o perfil é movente, a origem é vacuolar. Um mosaico de sentidos, e não um sentido apenas! A mesma retórica que significa uma identidade para o acreano é a mesma que desloca o índio para a insignificância. Os índios são defensores da floresta há milênios, embora não recebam prêmios na ONU, nem monumentos no centro da capital acreana, muito menos papel de destaque numa minissérie sobre a Amazônia. Galvez, Plácido de Castro e Chico Mendes - o branco sente a necessidade de criar heróis para amenizar-lhe a consciência acusadora e para projetarem-se politicamente sobre outros brancos. Índio nunca vira mocinho em história branca. Todo discurso possui brechas. Nesse artigo, nos colocamos em uma das fissuras desse discurso midiático sobre a história do Acre – a interdição do índio. É nas gretas que o sentido se mostra tenso. É no entre-lugar que se ouve as vozes silenciadas, que se vê as múltiplas resistências e que se pode reivindicar o sarcasmo como a condição da verdade!

Eduardo de Araújo Carneiro é licenciado em História,
concludente do curso de Economia e
acadêmico do Mestrado em Letras pela UFAC e
edita o blog História do Acre

O ACRE E SUAS CARACTERÍSTICAS

O Acre localizado no mapa do Brasil


A Bandeira do Acre


Brasão do Acre


Cidade de Manoel Urbano - Acre - Plena Amazonia -

Ficha do Estado do Acre



Região: Norte

Capital: Rio Branco

O Acre faz fronteira com: Amazonas, Rondônia, Bolívia e Peru

Mesorregiões: 2

Microrregiões: 5

Municípios: 22

Área: 152.581,4 km² (16º maior Estado)

População: 669.736 hab.

IBGE/2005 (25º Estado mais populoso)

Densidade: 3,7 habitantes/km²

(23º Estado com mais densidade de habitantes)

Clima: Equatorial Úmido

Fuso Horário: GMT-5 (Duas horas a menos que Brasília).

Indicadores do Acre:

Analfabetismo: 16,9% exceto população rural (2003)

Mortalidade infantil: 33,2% (2002)

Expectativa de vida:

-Índice Gini:IDH do Acre: 0,697 PNUD/2000

PIB do Acre: R$ 2.716.123 mil (2003) = 0,2% do PIB do Brasil

PIB per capita: R$ 4.338 IBGE/2003

Quem nasce no acre é: acriano ou acreano (mais usado)

Sigla: AC


Do Site:www.duplipensar.net/artigos/

MINI SÉRIE DE GALVEZ A CHICO MENDES- AMAZÔNIA

Mapa do Acre, onde se vê a cidade de Porto Acre, onde foram
filmadas cenas da minisérie Amazônia..


Palácio do Governo de Rio Branco, capital do Acre.

MINISSÉRIE AMAZÔNIA - Sobre a minissérie da Globo


DA COMUNIDADE AMO SENA MADUREIRA - ORKUT