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terça-feira, 13 de maio de 2008

13 DE MAIO - ABOLIÇÃO DOS ESCRAVOS, SERÁ?

Luta dos Negros
ZUMBI DE PALMARES



13 DE MAIO



Abolição da Abolição: ainda existem escravos no Brasil?

Por Thereza Pires



Até o estabelecimento da agroindústria açucareira, do tabaco e do algodão nas Américas, a escravidão era uma conseqüência das guerras: os vencidos serviam ao vencedor e os seres humanos que excediam as necessidades eram vendidos. A escravidão no continente americano se destacou de todas as outras formas de servidão por ter sido organizada de forma empresarial. Trezentos e sessenta e dois anos (1526-1888) separam o início do tráfico negreiro no Brasil da abolição definitiva da escravatura, no papel e na pena. Vindos de diferentes partes da África, os negros ajudaram a tornar o Brasil uma potência agrária e aqui sofreram toda espécie de dominação e exploração sexual.


CORPOS SEM ALMA

Do Site: www.comboioencena.com.br/


CORPOS SEM ALMAS

Durante a escravidão, os portugueses (e portuguesas) podiam exercer - sem nenhuma censura - qualquer espécie de manifestação de luxúria sobre o corpo dos escravos. O "direito de propriedade" era extensivo às emoções e aos sentimentos dos cativos. O processo foi "aperfeiçoado" com o tempo. Para satisfazer a necessidade de povoar um país tão grande, nada melhor do que a promiscuidade nos navios negreiros. Quando as negras engravidavam, o patrimônio de seus senhores aumentava porque, segundo as leis da época, o senhor não pagava pelo feto no ventre da mãe.


MÁQUINAS DE FAZER SEXO



MÁQUINAS DE FAZER SEXO

O caráter lúbrico da escravidão existia na própria organização hierárquica: para preservar a honra das moças de família - futuras sinhazinhas - os senhores estimulavam a iniciação sexual de seus filhos com as escravas adolescentes. As esposas brancas eram usadas apenas para reprodução, enquanto as escravas serviam para a satisfação dos verdadeiros desejos. Os mulatos gerados desta violência no calor tropical eram aproveitados na lavoura - 0 trabalho braçal era considerado algo desprezível pelos rapazes brancos. Os homens negros também eram mais atraentes e robustos que os pálidos sinhozinhos e muitas vezes serviam como solução para o problema carencial das sinhás.


CASA GRANDE E SENZALA



"CASA GRANDE E SENZALA"


"Casa Grande e Senzala" de 1933, o clássico de Gilberto Freyre, é leitura fundamental para explicar o comportamento sexual do brasileiro do tempo da Colônia e do Império. "Nenhuma casa grande do tempo da escravidão quis para si a glória de conservar filhos maricas ou donzelões. O que a negra da senzala fez foi facilitar a depravação com sua docilidade de escrava: abrindo as pernas ao primeiro desejo do senhor - moço. Desejo não, ordem". Gilberto Freire (1900-1987) conta que, nos mercados, os compradores examinavam a mercadoria (normalmente nua), para ver a dentição,o estado dos pulmões, o tamanho dos órgãos sexuais e a rigidez dos seios das negras. As mulheres brancas, para sublimar o abandono que sofriam dos maridos, costumavam exagerar na dose quando puniam escravos, de preferência as de sexo feminino. Algumas iaiás mandavam cortar mamilos das adolescentes, outras destruíam os dentes perfeitos da raça negra com o salto de suas botinas de couro legítimo, algumas tinham amantes negros. Relações homoeróticas também eram comuns. Sadismo e masoquismo exercidos pelos donos dos cativos, dissimulação, rivalidade e licenciosidade nas relações familiares, crueldade, e exclusão social foram o resultado final dos três séculos e meio de escravidão africana no Brasil.


Do Site: www.riobranco.ac.gov.br (a foto)


CONTINENTE ARRASADO

A chegada da família real portuguesa fugindo dos exércitos de Napoleão, em 1808, transformou a colônia em centro do Império: os portos se abriram para os navios do mundo, o país cresceu e a demanda por escravos aumentou. Dados estatísticos de 1850 falam de uma população de seis milhões de escravos vivendo no Novo Continente. Historiadores calculam que, dos 12 a 13 milhões de escravos transportados para as Américas, o Brasil recebeu cerca de 3 milhões e meio, dos quais entre 5 e 10 por cento morriam no primeiro ano depois da chegada. A repressão ao tráfico negreiro só foi iniciada no século XIX, quando a escravidão atingiu seu auge. Esta irrecuperável perda humana de centenas de gerações foi responsável pela situação de fragilidade em que se encontra hoje o continente africano.


SER ESCRAVO NO BRASIL



SER ESCRAVO NO BRASIL


Abolido legalmente em 1830, o tráfico só acabou, para valer, em 1850. O Rio de Janeiro era o principal ponto de distribuição dos escravos vindos do centro-oeste africano e da África Oriental. Enviados às províncias de Minas Gerais e São Paulo, trabalhavam em mineração e grandes plantações de café, que tomavam o espaço da floresta tropical. Os escravos chegados a Salvador abasteciam a economia, já decadente, do açúcar no Nordeste. A escravidão na produção agrícola foi, sem dúvida, a que sempre interessou os historiadores, mas a escravidão urbana era tão ou mais abominável. Os trabalhos domésticos, a fabricação de vestimentas e de instrumentos de uso diário tornavam muito íntimas escravos e seus senhores. A prostituição também era liberada e estimulada nas grandes cidades: muitas escravas sustentavam assim seus senhores que, geralmente, também eram seus amantes. Algumas "felizardas" passaram do concubinato da senzala para as pratarias da sala de jantar, como Xica da Silva, cantada em prosa e verso.


QUILOMBOS



QUILOMBOS

Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares (1655-1695), ícone do movimento negro, foi o pioneiro da resistência e o dia de seu assassinato, 20 de novembro, foi transformado em Dia Nacional da Consciência Negra. Um modelo novo de quilombo surgiu na fase final da escravidão : um esconderijo seguro de onde era possível organizar fugas e que permanecia quase em completo segredo. O Quilombo do Jabaquara, em São Paulo - um dos maiores do Brasil - era mantido por doações de simpatizantes da causa e administrado por Quintino de Lacerda, líder nato e articulador político.


AS CAMÉLIAS DO LEBLON



AS CAMÉLIAS DO LEBLON

José de Seixas Magalhães, industrial do ramo de malas de viagem estabelecido na Rua Gonçalves Dias (Centro do Rio) possuía uma chácara no então distante subúrbio à beira mar que se transformou no hoje charmoso bairro do Leblon.Na chácara de Seixas, existia uma floricultura onde trabalhavam escravos fugidos cultivando camélias, o símbolo oficial do movimento abolicionista. Nota para os leitores cariocas: a floricultura ficava localizada no terreno do Clube Campestre, imediações da rua Timóteo da Costa - Alto Leblon.Seixas, cabeça aberta e moderna, contava com a cumplicidade dos principais líderes da Confederação Abolicionista.


SENZALA VERTICAL



SENZALA VERTICAL

Ainda hoje existem resquícios da servidão do passado: trabalhadores escravos sustentam donos de terra que mandam matar agentes do INCRA e freiras americanas, o turismo sexual (principalmente nas cidades marítimas) que inclui no pacote uma mulher, geralmente negra, para também fazer o serviço doméstico.Nos apartamentos e casas dos condomínios de luxo, os quartos e banheiros de empregada minúsculos nada mais são que a senzala vertical que tanto surpreende os estrangeiros que aqui chegam.As madames, tocando sininho para chamar desajeitadas empregadas uniformizadas de avental e touca, são a versão atual das sinhás moças do passado.

Visite o site da Fundação Gilberto Freyre. Conheça mais sobre o idealizador do conceito de "luso tropicalismo" em www.fgf.org.br
_____________________________________ Todas as informações que embasam este texto e as imagens que o ilustram foram pesquisadas em sites na Internet. Pesquisa: Thereza Pires - www.euprocuropravoce.com.br


Extraído do Site: www.lunaeamigos.com.br

A DEFESA DA JUSTIÇA



A DEFESA DA JUSTIÇA


Em caso de atitude preconceituosa, o ofendido deve procurar orientação e fazer o que é certo: denunciar. O Promotor de Direitos Humanos de Uberaba e professor no curso de Direito da Universidade de Uberaba, Emmanuel Aparecido Carapunarla, afirma que, segundo as leis brasileiras, inúmeros comportamentos são considerados racistas. "O crime acontece quando qualquer ato impede um cidadão de fazer ou realizar algo devido à cor de sua pele, sua crença, entre outros casos. As punições não tratam somente de discriminação racial", aponta Carapunarla. Para se abrir um processo contra um crime ligado ao preconceito racial, é necessário que se identifique primeiramente o crime praticado. Se for identificado como racismo, basta chegar ao conhecimento das autoridades. "O Ministério Público é obrigado a agir nestes casos de Ação Penal Pública", esclarece Carapunarla. Se for um crime contra a honra ou religião, a própria pessoa deve iniciar a Ação Penal, porque é privada. As provas devem ser concretas, pois o processo penal aceita qualquer uma, desde que seja lícita, como gravações, depoimentos, documentos, entre outras. O racismo é um crime inafiançável, ou seja, se for preso em flagrante, o agressor vai aguardar o resultado do processo na cadeia. A pena pode chegar até cinco anos de prisão. Maria das Dores desabafa esclarecendo que as pessoas devem lutar pela igualdade social a todo custo. Não podem deixar que sejam ofendidos, magoados, destratados. Denunciando, as pessoas vão conseguir o que realmente merecem: igualdade e respeito. "É preciso uma consciência para juntar forças em torno da causa. É preciso agir como um grupo a fim de se libertarem destes atos que diminuem as pessoas na sociedade", conclui.


DISCRIMINAÇÃO PERPÉTUA



DISCRIMINAÇÃO PERPÉTUA



"O preconceito é um relativismo individual que resulta em conseqüências graves. As pessoas por acharem que são melhores começam a desmerecer as outras."
Luciana Souza, 7º período de jornalismo
É comum ouvir dizer que no Brasil já não existe mais racismo, preconceito ou discriminação. Ao mesmo tempo é impossível negar o alargamento das diferenças sociais e econômicas sofridas pela sociedade no decorrer dos séculos. Para entender estas diferenças é necessário voltar ao período de colonização do País, para perceber também, que há, através da história a perpetuação da discriminação. De acordo com a socióloga, Maria das Dores Silva, professora da Universidade de Uberaba, a sociedade contribui para que o preconceito seja voltado para os negros. Durante a colonização do Brasil, as terras foram tiradas do poder dos índios, que se viram obrigados a trabalhar. Como não se adaptaram bem, por recusarem a escravidão, foram substituídos pelos escravos africanos. Os negros foram arrancados de sua pátria e trazidos para as Américas - um continente desconhecido, onde não lhes ofereceram nenhuma vantagem. Mesmo depois da abolição, no dia 13 de maio de 1888, os negros não se libertaram. Data daí, de acordo com a socióloga o período da intensificação do preconceito."O conflito pessoal começa quando a raça branca faz algum tipo de comentário sobre o passado dos índios ou negros, por causa da escravidão", aponta Maria das Dores.É necessário também, na visão de Maria das Dores, recorrer a Biologia para que o racismo não seja analisado somente no campo ideológico. "Existe uma parte da ciência, também chamada de Racismo, que estuda a mensuração das espécies humanas. São comparados ossos de homens negros com os de brancos, amarelos e vermelhos, para indicar quais são as diferenças entre cada raça", explica. É exatamente essa mistura de raças que pode causar mudanças na sociedade. O Racismo ou Etnocentrismo, é a característica de um grupo racial que cria conflitos, tentando mostrar-se melhor que os outros. A Sociologia classifica o racismo como uma discriminação ideológica, na qual um grupo considera ter mais qualidades que o outro. "O preconceito é um relativismo individual que resulta em conseqüências graves. As pessoas por acharem que são melhores começam a desmerecer as outras", esclarece. Para a Psicólogia, o racismo pode gerar certos tipos de patologias nas pessoas discriminadas. A psicóloga Osimar Beatriz Tura, cuja experiência somam-se nove anos de atendimento clínico na cidade de Conquista/MG explicou que as pessoas, quando discriminadas, sofrem um certo isolamento podendo ter como consequência a violência. "Quando alguém está sendo inferiorizado, seja por causa de sua cor ou por sua crença, passa a desenvolver problemas psicológicos. Com isso fica doente ou até mesmo desenvolve um sentimento de raiva, tornando-se violento", exemplifica.


A VIDA DE UMA MULHER NEGRA



Vida de uma mulher negra


Se o preconceito racial proveniente somente da raça já é uma carga pesada para ser carregado por uma pessoa, a situação fica mais complicada quando esta pessoa além de sofrer a discriminação por sua raça a sofre também pelo sexo. É o caso da dona de casa Vera Lúcia Dantas Barbieri, 46 anos, cuja história ilustra bem esta realidade.
Vera Lúcia, ou Vera do Gato como é conhecida, nasceu na Bahia, não sabe ao certo a cidade, pois foi registrada em Belo Horizonte/MG. Filha de pais separados, sua mãe ao passar por Sacramento/MG, perguntou à uma família do município se queriam cuidar de Vera, caso contrário a jogaria no rio. Vera então se enquadrava na seguinte situação: mulher, órfã e negra. Sua família adotiva lhe deu todo amor e conforto que podiam, mesmo assim ela cresceu rebelde. Vestia roupas masculinas, cortava os cabelos bem curtos e não deixava que ninguém a ofendesse. Se acaso alguém a chamava de "preta" ou de órfã, não ficava magoada nem se deixava abalar. "Eu sempre resolvi meus problemas, nunca levei os meus casos para casa, quando era necessário eu até dava um ‘coro’ nos meninos que tentavam me ofender", declara Vera. Na época em que morou em Sacramento, por volta da década de 70, pessoas negras eram proibidas de entrar no Sacramento Tênis Clube, que fica localizado em uma das principais ruas do município. Nesta mesma época, ela completou quinze anos e como seu padrinho era uma dos maiores sócios do clube, Vera pode participar do Baile Debutante juntamente com as outras garotas que aniversariavam naquele ano. "Não teve uma pessoa que não tenha me olhado torto naquela festa, afinal, eu era a única ‘preta’ vestida de dama. As outras garotas eram branquinhas, loirinhas dos olhos azuis, mais nem isso me tirou do salto", afirma. Vera entrou e rodou dançando pelo salão como uma princesa . "Os olhares indiscretos faziam com que eu me achasse mais bonita. As meninas morriam de raiva de meu jeito superior e os garotos estavam doidos para saber quem eu era". Aos 19 anos Vera ficou grávida dando a luz à um garoto que se chama Alex. Ela então era mulher, negra, órfã e mãe solteira. Sua família lhe deu total apoio, mas a sociedade não perdoou. Ela recebeu ofensas de todos os tipos, mas não se deixou abalar. Com 23 anos casou-se com Alberto Barbieri e teve mais duas filhas. "Por ironia do destino, todos meus filhos são loiros e modéstia à parte, lindos! Aí que o ‘trem’ teve feio! O povo não acreditava que uma mulher da cor negra podia ter filhos bonitos e ainda mais, loiros!", ironisa. Hoje ela mora em Conquista e conta diversos casos sobre discriminação. Confessa que já perguntaram a ela se era a babá ou empregada da família quando estava com seus filhos em algum lugar. Quando alguém a chama de preta ou negra ela sorri. "Às vezes até agradeço". Ela sabe que a cor de uma pessoa não interfere em seu caráter nem em seu comportamento. "O que vale é o que cada um tem dentro de si. Pobres são aqueles que pensam que a raça diferencia uma pessoa das outras". Vera nunca pensou em entrar na justiça por causa de discriminação, ela disse que naquela época não resolvia muito, então preferia resolver pessoalmente, o que nem sempre é a melhor saída.


Do Site:www.revelacaoonline.uniube.br/...abolicao4.html/

13 DE MAIO ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA


Somos todos escravos


Wagner Ghizzoni Júnior, 6º período de jornalismo.




Neste mês é comemorada a Abolição da Escravatura.



Em 1888 a princesa Isabel declarou que os negros não eram obrigados a trabalhar de graça e serem humilhados de todas as formas pelos brancos. Porém, hoje a realidade é que a escravidão está aí, não só para negros, mas para brancos, amarelos, vermelhos…e não há lei que a impeça. Ao contrário da escravidão dos negros, que era escancarada, esta é uma escravidão silenciosa, que quase não se percebe. Somos todos escravos. Queremos tomar um suco de laranja, mas a Coca Cola não deixa. Queremos sair e praticar um esporte, mas o Domingo Legal nos impede. Não adianta querer comprar um tênis simples: a sociedade, nossa terrível senhora, nos chicoteia com artistas famosos usando Nike. Você vai dizer que não é escravo? Pense bem. Será que nunca deixou de comer um pão com queijo para ir ao Mc´Donalds? E aquela caminhada que você queria fazer no outro dia? Ah, é, mas tava passando novela. AH, você é daqueles que pensam o contrário. Você que é o suserano, que chega numa festa com as roupas da última moda, das melhores grifes, e os vassalos são aqueles que se vestem como querem. Será que é você que tem que olhar com ar superior para eles? Existem pouquíssimas pessoas que não se deixam levar pelos valores que a sociedade atual prega. Se você é uma delas, parabéns. Agora, se você já foi um escravo e conseguiu se libertar, mais parabéns ainda, porque isso é muito difícil. Pena que – aposto – as pessoas ao seu redor não são como você. E é uma pena que este toque que estamos dando não vai chegar a todos os que precisam. A grande maioria não lê, o Revelação. Afinal, é algo tão arcaico como assistir a programação da TV Cultura, quando Casa dos Artistas e o Clone estão lutando pelo primeiro lugar no Ibope!