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terça-feira, 13 de maio de 2008

OS SETE POVOS DAS MISSÓES

Foto de Glaucio Machado - Antiga estação ferroviária.


HISTÓRIA


Os Sete Povos das Missões

Os chamados Sete Povos das Missões, cujos remanescentes estão localizados na região Noroeste do estado do Rio Grande do Sul, constituem-se num dos conjuntos de arqueologia histórica mais importantes situados em terras brasileiras.
Foram os padres da Companhia de Jesus - os jesuítas - os primeiros desbravadores desta região, que era vastamente habitada pelos índios guaranis, hoje chamada "missioneira". Diz-se assim porque aqui estes jesuítas estabeleceram, na banda oriental do rio Uruguai, sete reduções que constituem parte das Missões Jesuíticas, destinadas à conversão dos indígenas da América do Sul e posse de novas terras. No total foram 30 povos guaranis nos atuais países do Paraguai, Argentina e Brasil.
Coube ao padre Roque Gonzales de Santa Cruz desbravar as terras da margem esquerda do rio Uruguai e fundar, em 1626, o povo de São Nicolau, o primeiro no atual território do Rio Grande do Sul, na época, sob o domínio da Espanha. Logo depois, em 1628, o Padre Roque Gonzales era martirizado pelos índios, em Caaró, hoje no município de Caibaté, local de grandes peregrinações.
Em 1632 foi a vez do padre Cristóvão de Mendoza fundar o povo de São Miguel, no coração geográfico do Estado que, se ainda existisse, se encontraria hoje próximo a cidade de Santa Maria, portanto longe da atual São Miguel que é considerado o principal marco americano de civilização jesuítico-guarani e declarada, pela UNESCO, Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, em 06 de dezembro de 1983. Ao padre Cristóvão de Mendoza também se deve a introdução do gado no Rio Grande do Sul, ainda na 1ª fase missioneira e que mais tarde foi um dos motivos da volta dos índios e jesuítas.
Os Sete Povos propriamente ditos e que já pertencem ao segundo ciclo tiveram seus assentamentos a partir de 1682, dos quais alguns transformados hoje em importantes cidades gaúchas:
Redução Ano de Fundação Fundador Cidade Atual
São Francisco de Borja 1682 Pe. Francisco Garcia de Prade São Borja
São Nicolau 1687 Pe. Anselmo de La Mata São Nicolau
São Luiz Gonzaga 1687 Pe. Miguel Fernandez São Luiz Gonzaga
São Miguel Arcanjo 1687 Não há registro concreto

do fundador São Miguel das Missões
SãoLourençoMártir 1690Pe.BernardodeLa Vega SãoLourenço São João Batista 1697 Pe. Antônio Sepp Von Reinegg Pertencente ao município de Entre Ijuís
Santo Ângelo Custódio 1706 Pe. Diogo Haze Santo Ângelo
Os Sete Povos das Missões foram dirigidos e governados pelos jesuítas até 1768, isto é, até a expulsão desses padres de todos os domínios espanhóis da América. As reduções haviam, sob o regime dos jesuítas, alcançado notável desenvolvimento comercial e artístico. A erva mate era o principal produto comercializado, seguido do sebo, algodão, fumo, couro. Nas artes, foram as esculturas, a música, o teatro e a arquitetura que mais se desenvolveram, como atestam tão belos trabalhos guardados em museus e presentes nas importantes ruínas.
Na verdade a decadência dos Sete Povos começa com o Tratado de Madrid de 1750, entre a Coroa da Espanha e a de Portugal, onde, entre outras áreas de terra, trocava-se a Colônia de Sacramento pelos Sete Povos.
Então acontece o inesperado: em 1752, pelos portugueses o general Gomes Freire de Andrade e pelos espanhóis o Marques de Valdelírios, iniciaram os trabalhos da comissão de demarcação do Tratado de Madrid. Em fevereiro de 1753
Gomes Freire topa, em serviço de demarcação, com um índio que se imortalizaria pela coragem e audácia: Sepé Tiaraju, corregedor da redução de São Miguel que, armado com um grupo de guerreiros começava sistemática resistência ao cumprimento do Tratado. É desta época que resulta a conhecida frase lendária, dita por Sepé para o general Gomes Freire: “Esta terra tem dono”... “Ela nos foi dada por Deus e São Miguel”.
Sepé resistiu como pôde até 1756. Em fevereiro daquele ano, numa batalha desumana e de triste memória acabariam todos os sonhos da República Guarani. É na conhecida batalha de Caiboaté, hoje no município de São Gabriel, que Sepé morre, e com ele aproximadamente 1500 índios, num confronto com os dois exércitos demarcadores. Uma verdadeira chacina que marcava o fim das Missões. Em 17 de maio de 1756, Gomes Freire de Andrade toma São Miguel encontrando ali apenas enormes fogueiras das casas da cidade. Os índios fugiram incendiando tudo
, menos o templo.
Com a anulação do Tratado de Madrid tudo voltava a ser como era antes. Isto significa que a região das Missões continuava sob o domínio da Espanha. E para anexá-la ao atual Rio Grande do Sul era preciso tomá-la a força. E com a finalidade de conquistar o território das Missões e incorporá-lo ao domínio português, em 1801, José Borges do Canto entrou em São Miguel, de onde exigiu a rendição de São João Batista e Santo Ângelo Custódio. Três nomes ficaram na história da tomada das Missões: Borges do Canto, Manuel dos Santos Pedroso e Gabriel
Ribeiro de Almeida. A história não revela as façanhas destes três gaúchos na fixação dos Sete Povos ao atual território sul-rio-grandense. Mas era tanta a decadência do povo missionário, que em 1803 havia em todo o solo missioneiro apenas umas oito mil pessoas.
Em 1928, o uruguaio Frutuoso Rivera entra nas Missões desprotegidas saqueando o que restava e levando consigo os objetos de valor. Sobram ruínas de uma civilização. Em 1831 que chegam os primeiros luso-brasileiros que, em busca dos antigos caminhos jesuíticos, fixam-se definitivamente.
A Redução de Santo Ângelo Custódio
A redução de Santo Ângelo Custódio ou Sant'Angel Custódio, o último dos Sete Povos a ser fundado, esteve entre 12 de agosto de 1706 até 1707, instalada na margem esquerda do rio Ijuí Guaçu (em tupi-guarani "guaçu" = grande; portanto, Ijuí Grande) e o Ijuízinho. A redução de
Santo Ângelo Custódio foi consagrada ao Anjo Custódio das Missões (aquele que tem a custódia, a guarda), o protetor de todos os povos missioneiros, portanto era chamada também de Sant'Angel de la Guardia, como consta em alguns documentos espanhóis da época, sendo considerada a Capital das Missões.
Seu fundador, o jesuíta belga Diogo Haze, ali chegou de Concepcion (Paraguai), com 740 famílias guaranis na época da “cheia” e não encontrando uma maneira de transpor as fortes correntezas das águas, lançou as bases desse novo povoamento missioneiro nesse lado do rio. A mudança do povoado se deu, provavelmente, pela dificuldade em atravessar o rio Ijuí Guaçu com as cargas de erva mate que extraíam em abundância na região nortista de Nhucorá (Inhacorá), afora, ainda, pela natural defesa que o rio representava contra os ataques dos índios Charruas que por essa época assolavam as aldeias guaranis.
A redução tinha uma estrutura semelhante às demais reduções, com exceção da igreja que tinha sua frente voltada para o sul conquanto das outras dos Sete Povos estavam voltadas para o Norte. O povo de Santo Ângelo Custódio prosperou muito economicamente, tornando-se o maior produtor de erva mate e algodão, sendo mais ricos dos Sete Povos. Até mesmo em 1767, ano da expulsão dos jesuítas, produzia, por ano, em torno de cinco mil arrobas* de erva mate e quatro mil de algodão, tudo para exportação.
A derrocada do sétimo povo das Missões Orientais do Uruguai dá-se na verdade, pelas mesmas causas dos outros seis: o litígio formado com a demarcação estabelecida no Tratado de Madrid, de 15 de janeiro de 1750, e suas conseqüências políticas, havendo um período de total abandono do povoado de Santo Ângelo.
Colonização
A partir de 1831, os campos missioneiros começam a ser repovoados por famílias paulistas (portugueses) adquirindo extensos latifúndios - as sesmarias. Foram localizados como grandes latifundiários, por volta de 1850/1860: Francisco Pinheiro Machado, Bento Barbosa de Lima, Antônio José Antunes, João Batista Paz, Antônio Gonçalves, entre outros.
Foram dois desses pioneiros, Antônio Manoel de Oliveira e Alfredo Pinheiro Machado, que resolveram restaurar o antigo povoado de Santo Ângelo Custódio. Corria o ano de 1859, de machado em punho, puseram à descoberta a Igreja e algumas outras construções dos tempos jesuíticos. Começava assim a moderna Santo Ângelo.
Não deixa de ser importante lembrar, que a igreja jesuítica jamais foi incendiada. A mesma consumiu-se pelo total abandono. Pelo menos entre 1822 e 1859 a redução de Santo Ângelo ficou totalmente deserta, entregue aos animais e vegetação. O mato tomou conta de tudo, nato que nesse último ano alguns visitantes nem puderam encontrar a igreja e o local da praça.
Formação Administrativa
Após a conquista das Missões pelos luso-brasileiros liderados por Borges do Canto, Manuel dos Santos Pedroso e Gabriel Almeida Ribeiro
, Portugal procurou tornar efetiva essa ocupação. Para isso nomeou-se uma Comandância Militar subordinada ao governo com sede em Porto Alegre, cuja finalidade era cuidar e administrar as terras missioneiras. Oficialmente, as terras de Santo Ângelo pertenciam ao município de Rio Pardo até 1822, quando então passaram a integrar o novo município de Cachoeira do Sul.
Com a criação do município de Cruz Alta, pela Lei Provincial nº 335, de 14 de janeiro de 1857, Santo Ângelo, além de fazer parte desse novo município, foi ainda elevado a categoria de freguesia e Paróquia, sem que, em parte alguma houvesse uma igreja ou começo de povoação. Outra não foi a finalidade senão puramente política.
O relativo desenvolvimento agropecuário e comercial da nova freguesia ensejou, conforme Lei Provincial nº 835 de 22 de março de 1873 (data em que se comemora o aniversário de sua emancipação político-administrativa) que fosse elevada a condição de Vila e sede do município de Santo Ângelo, com suas terras desmembradas de Cruz Alta e São Borja.
Emancipado, o município passou a ser administrado de acordo com o modelo político do Império, isto é, pela Câmara de Vereadores que, em colegiado, constituía o órgão dirigente do Império. A primeira Câmara de Vereadores de Santo Ângelo foi instalada em 31 de novembro de 1874, na casa de Bento Rolim de Moura, no local onde hoje está sediado o Clube Gaúcho. Era composta dos cidadãos João Cardoso de Aguiar, João Ernesto Kruel, Joaquim da Silva Lourega, Felisberto da Silveira Marques, Serafim Cardoso Duarte de Medeiros, João Francisco de Almeida e Damaso Ribeiro Nardes.
Com a proclamação da República foi essa Câmara dissolvida e foram nomeados Francisco de Souza Ribeiro Dantas Filho, coronel João Antônio Rodrigues
e Major Ernesto Kruel para, em comissão, sob a denominação de Junta Municipal, dirigirem, provisoriamente, a administração do município.
Institucionalizada a República e adotado o regime federativo, o município passou a ser administrado por um Intendente Municipal, eleito pelo sufrágio popular e que acumulava em suas mãos o poder Executivo e Legislativo, e por um Conselho Municipal ao qual cabia funções meramente orçamentária.


Textos coletados por Felipe Pretto

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